AmazonasDestaque

Calor de Manaus castiga duas vezes: na temperatura e no bolso do consumidor

Verão amazônico aumenta a necessidade de ventiladores e ar-condicionado, enquanto a bandeira amarela acrescenta custo à conta de energia; especialistas orientam como reduzir o consumo sem abrir mão do conforto

MANAUS — Em Manaus, o calor não dá trégua. E, quando os termômetros sobem, a conta também pode subir — só que no fim do mês, direto no bolso do consumidor.

O chamado verão amazônico, iniciado em junho e com expectativa de atingir seu período mais intenso neste mês de setembro, muda a rotina dos moradores da capital. Ventiladores ligados por mais tempo, aparelhos de ar-condicionado funcionando durante horas e geladeiras trabalhando mais para manter os alimentos refrigerados fazem parte da batalha diária contra o calor.

O problema é que o alívio proporcionado pelos aparelhos pode aparecer acompanhado de uma consequência nada agradável: uma conta de energia mais alta.

Além do aumento natural do consumo, a cobrança também é influenciada pela bandeira tarifária vigente. Na bandeira amarela, há acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, valor que pode fazer diferença principalmente para famílias que já precisam aumentar o uso do ar-condicionado para conseguir dormir ou trabalhar.

Quando o ar-condicionado deixa de ser luxo

Em uma cidade onde o calor faz parte da rotina durante praticamente todo o ano, reduzir o uso do ar-condicionado nem sempre é uma escolha simples.

Para muita gente, especialmente crianças, idosos e pessoas que trabalham em ambientes fechados, o equipamento representa mais do que conforto: é uma forma de tornar o ambiente minimamente suportável.

Mas existe uma diferença entre utilizar o aparelho e desperdiçar energia.

Segundo o professor do curso de Eletrotécnica do Centro de Ensino Técnico (Centec), Rodrigo de Almeida Magalhães, pequenos ajustes podem ajudar a controlar o consumo.

Uma das principais recomendações é manter o ar-condicionado entre 24°C e 25°C.

“Cada grau a menos aumenta cerca de 8% o consumo.”

Ou seja: baixar o aparelho para temperaturas muito inferiores não significa necessariamente que o ambiente ficará confortável mais rapidamente. Em contrapartida, pode significar mais trabalho para o equipamento — e mais energia consumida.

O vilão pode estar sujo

Outro ponto frequentemente esquecido é a manutenção.

Filtros sujos dificultam a circulação do ar e podem fazer o aparelho trabalhar mais para atingir a temperatura desejada. Cortinas, persianas e películas nas janelas também podem ajudar a bloquear parte do calor que entra no ambiente.

Para quem pretende trocar o aparelho, modelos com tecnologia Inverter e classificação eficiente de consumo podem ser uma alternativa.

Segundo o especialista, um equipamento Inverter, aliado ao selo Procel A, pode representar economia significativa em comparação com modelos convencionais, dependendo das condições de uso.

E a geladeira?

Se o ar-condicionado costuma ser apontado como um dos grandes responsáveis pelo aumento do consumo, a geladeira também merece atenção.

No calor intenso, o equipamento precisa trabalhar mais para manter a temperatura interna. Abrir a porta repetidamente, guardar alimentos ainda quentes ou manter a borracha de vedação desgastada pode aumentar o esforço do motor.

A recomendação é simples: menos abre-e-fecha, manutenção em dia e boa vedação da porta.

A limpeza da serpentina traseira também contribui para o funcionamento adequado do equipamento.

A conta pode estar sendo construída aos poucos

Televisão, micro-ondas, computadores, carregadores e outros equipamentos em modo de espera também podem representar consumo ao longo do tempo.

Isoladamente, o gasto de cada aparelho pode parecer pequeno. O problema aparece quando vários equipamentos permanecem conectados durante horas, todos os dias.

Nas lâmpadas, a substituição de modelos antigos por LED é outra medida relativamente simples. Elas consomem menos energia e também liberam menos calor no ambiente — uma vantagem adicional para quem enfrenta o verão amazônico.

Pequenas mudanças, algum alívio no fim do mês

Outros hábitos também podem ajudar:

  • Aproveitar a iluminação natural sempre que possível;
  • Reduzir o tempo de banho;
  • Utilizar o chuveiro elétrico na posição “verão” nos dias mais quentes;
  • Concentrar o uso da máquina de lavar;
  • Evitar ligar o ferro elétrico diversas vezes para poucas peças;
  • Não colocar alimentos ainda quentes na geladeira;
  • Desligar equipamentos da tomada quando não estiverem sendo utilizados por longos períodos;
  • Manter filtros e aparelhos de climatização limpos.

Segundo Rodrigo, são atitudes simples que, somadas, podem reduzir desperdícios.

O calor é inevitável. O desperdício, não.

Em Manaus, ninguém precisa de previsão do tempo para saber quando o calor chegou. Basta sair de casa — ou tentar dormir sem o ar-condicionado.

O desafio do consumidor é encontrar equilíbrio entre sobreviver ao calor e não transformar a conta de energia em mais uma dor de cabeça.

Porque, no verão amazônico, o calor pode até ser inevitável. Mas uma coisa é enfrentar temperaturas extremas; outra é descobrir, quando a fatura chega, que cada hora de conforto teve um preço que não estava no planejamento.

Antes de reclamar da conta, vale olhar para dentro de casa. E, ao mesmo tempo, o consumidor também tem todo o direito de entender exatamente o que está pagando, acompanhar seu histórico de consumo e buscar informações sobre a composição da tarifa.

No fim das contas, economizar energia não significa passar calor. Significa usar melhor aquilo que já é indispensável na rotina de quem vive na Amazônia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *