Quando a fé vira forma: a história de Michelle Nogueira, a mulher por trás da Divani Joias
A trajetória de Michelle Delarco Fernandes Nogueira poderia ser a de tantas mulheres brasileiras, mas ganhou contornos únicos ao ser transformada em propósito. Antes de ser empresária, ela se define como mãe, esposa e mulher — alguém que conhece de perto o peso das responsabilidades, as noites sem dormir, as dúvidas e os medos. Também conhece, como poucas, a força que nasce justamente quando tudo parece desmoronar.
Michelle nunca escolheu o caminho mais fácil. Escolheu não desistir. Em meio a fases difíceis, quando as certezas desapareceram, foi na fé que encontrou sustentação para continuar. “A fé não tira os desafios, mas transforma quem enfrenta cada um deles”, resume. Entre lágrimas, orações e pequenos passos diários, ela descobriu que sua sensibilidade — por muito tempo vista como fragilidade — era, na verdade, um dom.
Foi nesse espaço de vulnerabilidade, entrega e propósito que nasceu a Divani Joias. A marca não surgiu de um plano de negócios tradicional, mas de um chamado. Um chamado para elevar a autoestima das mulheres, dar voz a histórias silenciadas e transformar sentimentos em joias que podem ser tocadas e carregadas.
“Eu sempre digo que a Divani foi um presente de Deus. Ele conhecia minhas preces, minhas dores escondidas e a sensibilidade que eu mesma demorei a reconhecer como dom”, afirma Michelle.





Ao longo do contato com suas clientes, ela percebeu que ninguém buscava apenas uma peça bonita. Cada mulher chegava com uma história: uma perda, um nascimento, uma vitória, um recomeço. A joia deixou de ser produto e passou a ser linguagem.
“Ali eu entendi que minha missão não era vender semijoias. Era transformar histórias em algo que pudesse ser tocado”, explica.
O propósito da Divani se sustenta em três pilares claros: escuta profunda, curadoria técnica e entrega emocional. Antes de qualquer desenho, há conversa. Antes do design, há sentimento. Michelle trata esse momento inicial como algo quase sagrado, observando não apenas palavras, mas tons, emoções e intenções.
O processo criativo segue rigor técnico — escolha da base, testes de proporção, definição de banho, aplicação de zircônias ou resina e controle de qualidade —, mas nada é acelerado. Cada etapa existe para honrar a história confiada à marca.
“Sem sentir a história, eu não consigo criar a alma da joia. E é a alma que transforma uma peça bonita em uma peça inesquecível”, diz.
Lidar diariamente com histórias íntimas traz também uma grande responsabilidade. Para Michelle, criar uma joia personalizada é assumir o compromisso de honrar verdades, respeitar sentimentos e entregar algo que faça sentido por toda a vida de quem recebe.
Algumas criações marcaram profundamente sua trajetória. Um colar feito para uma mulher que transformou a própria dor em livro. Um pingente criado para uma mãe que queria carregar o pai falecido perto do coração. Em ambos os casos, o impacto emocional confirmou que a Divani não existe por vaidade, mas por propósito.
“Naquele choro, eu entendi o tamanho do impacto do meu trabalho”, relembra.
Consolidar uma marca de joias personalizadas no Brasil sem abrir mão da essência trouxe desafios: educar o mercado sobre o valor emocional do feito à mão, crescer sem perder a alma, encontrar parceiros que respeitassem o padrão de qualidade e manter identidade em um mercado que tende ao comum. O maior desafio, porém, foi interno.
“Acreditar que minha sensibilidade não era fraqueza, era o meu diferencial competitivo”, reconhece.
Hoje, Michelle define a Divani como a união entre luxo, afeto e memória — mas faz questão de destacar o que considera essencial.
“O luxo está no acabamento. O afeto está na experiência. Mas a essência está na história que a peça carrega. Somos guardiãs de memórias”, afirma.
O legado que Michelle deseja construir vai além do empreendedorismo. Ela quer que a Divani seja lembrada como uma marca de verdade, propósito e sensibilidade; uma marca que fortaleceu mulheres, eternizou vínculos e inspirou novos recomeços.
“Não quero que as pessoas se sintam apenas belas. Quero que se sintam conectadas consigo mesmas, significativas e intencionais”, conclui.
Assim, cada joia da Divani segue cumprindo sua missão silenciosa: provar que o brilho mais duradouro não vem do metal, mas da história de quem o carrega.
Textos: Indira Queiroz

