PAPAI NOEL

24 de dezembro é dia de encontro com o sonho de muitas crianças neste canto do mundo. Chegada a noite, a visita de um “bom velhinho” de barbas brancas é ansiosamente esperada, vindo do polo norte em trenó iluminado, puxado por renas magnificamente treinadas, hábeis a permitir, em magia única, o encanto do presente sob a cama ou sob a rede, nos muitos e distantes lugares. De manhã, faz-se o acordar mais cedo para o sorriso feliz. Bela magia que permanece por tanto tempo na lembrança dos que a podem viver. Ilusão em forma de amor.
Para que tudo ocorra como desejado, é preciso dizer ao bom Papai Noel o que dele se quer, e a criança é estimulada a fazer uma carta, um bilhete, uma nota, dizendo num escrito, às vezes até o primeiro de sua vida ainda bem curta, qual o presente que espera, até como prêmio por bom comportamento durante todo o ano, em casa e na escola. Isto é também fantástico, igualmente mágico.
Pois bem , ouso pedir a meus leitores permissão para, nesta véspera de Natal, trazer duas mensagens, em forma de quase poesia:
CARTINHA A NOEL
Papel e lápis na mão
sentado só no barranco,
debruçado sobre o banco,
o mundo do rio à frente
tristeza no coração,
o menino desenhava
o que uma carta seria
ao velho que não faltava
com o que ele pedia.
Todos os anos escrevia
se chegava nem sabia
era seu pai quem levava
ao motor que o rio subia
e nem mesmo atracava.
Era um ano diferente
não queria um brinquedo
estava mesmo com medo
do que devia escrever
sem saber como dizer
qual seria seu presente.
Foi escrevendo chorando,
quase em prece, com fervor,
o peito tomado de dor,
o que estava esperando
no Natal que ia chegando:
Noel dissesse ao doutor
do hospital da cidade
que ele, por caridade,
não deixasse sua mãezinha,
o ano bem doentinha,
morrer do tal do tumor.
PRESENTE DE NOEL
Em dezembro o professor
em uma aula explicou
o sentido natalino
declamou e até cantou
pra mostrar como fazer,
em prece ao se recolher,
uma homenagem ao Menino
que ao mundo veio ensinar
o mundo todo a amar.
Depois resolveu pedir
pra cada aluno responder
mesmo antes de sair
o que queria receber
de presente no Natal
do bom velhinho, afinal.
Maria pediu uma bola,
João, um jogo moderno,
Carlos, mochila e sacola,
Pedro queria um caderno
com lápis pra desenhar
Francisca, um celular
e cada um à sua hora,
mesmo sem muito sentido
jogando conversa fora
foi fazendo seu pedido.
Por fim, um menino sírio
ali um refugiado,
permanecia calado
e rabiscava um lírio
numa folha de papel,
desenho sem nada de encanto,
respondeu quando chamado
levantou-se, disse em pranto
o que queria de Noel:
que todos os homens da Terra
nunca mais fizessem a guerra.

Lourenço Braga, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas

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